jamais vou dizer alguma coisa sobre a cidade que brotou da terra e deslizou em direção ao mar, crescendo verticalmente -- você sabe, aquela das montanhas. não me importo mais com as montanhas, não me importo com a cidade e não me importo com a pessoa que vive lá. je suis bien trop fatiguée, portanto obrigada e adeusinho: please stay with your own kind and i'll stay with mine.
gostaria de pensar apenas em abelhas. o mecanismo interno produzindo o líquido espesso e doce a partir do pólem consumido, como uma pequena máquina, complexa e úmida. não é incrível como as coisas se dão? não estou tão triste assim, acho que finalmente funciono bem: tomo fantastiquices por banalidades, e quase não é minha culpa: a repetição banaliza tudo. quando se fica muito triste com muita frequência, logo não se pode mais ficar triste. os motivos continuam os mesmos, por isso não sinto nada. vou precisar de uma catástrofe para chorar novamente.
mas mesmo as catástrofes já não me tocam. tenho pouca paciência, deve ser isso. concordo com tudo por preguiça, concordo com tudo o que é bom e ruim, acho tudo perfeito, perfeitamente natural, sou capaz de me adaptar a praticamente qualquer coisa, aquiesço como apenas os fracos o fazem, tanto faz, tanto faz, tudo está muito bem, só quero que me deixem em paz. não faz tanto tempo que fiquei assim, quase um ano.
estou completamente exausta. não quero mudar mais nada, não quero lutar contra a maré, não quero me atirar contra a parede mais uma vez.
me recuso a usar a estúpida porta que todos usam, porém.
talvez eu tente alçar vôo e sair pela janela, é uma saída muito mais atraente.

